10 Atitudes Food Watchers no Supermercado

10 Atitudes Food Watchers no Supermercado

16 de Janeiro | 2019

A nossa atitude no supermercado é determinante para as escolhas alimentares que fazemos. Identificámos um conjunto de 10 ações que podem conduzir-nos a opções mais conscientes e adequadas. Este tema é apresentado no Episódio #2 do Food Watchers Podcast, disponível no Spotify e SoundCloud 🎧

Optar por estas atitudes pode dar algum trabalho e provocar mudanças nos nossos hábitos de consumo. Mas tudo isto pode levar-nos a escolhas mais adequadas às nossas necessidades e preferências. E pode ainda representar grandes poupanças em termos de finanças, meio ambiente e, principalmente, em termos de saúde e bem-estar!

1. DAR PRIORIDADE A ALIMENTOS NÃO EMBALADOS

Os alimentos sem invólucros ou embalagens representam aqueles cujo processamento é mínimo ou inexistente ou aqueles que, quando processados, são mais frescos, têm apenas um ingrediente (o próprio alimento) ou uma lista de ingredientes minimalista (Isto é muito bom!).
Optar por frutas e legumes da época, podendo decidir as quantidades que queremos levar para casa, escolher o peixe e a carne em porções que sejam as mais convenientes para as nossas necessidades e eleger o pão fresco, fabricado no dia são atitudes benéficas para uma alimentação mais saudável e sustentável.
Leguminosas, frutos secos, chás, especiarias, cereais, são apenas exemplos de alimentos que podemos adquirir a granel. A nossa saúde reconhece e o planeta agradece!

2. ESCOLHER OS ALIMENTOS EM FUNÇÃO DO MATERIAL DE EMBALAGEM

“Vou a lojas onde vendem a comida para take away em embalagens de alumínio com tampa de papel. Aquelas com embalagens de plástico e tampa transparente não agradam.”. “Quando tenho que escolher uma bebida, com dose individual, opto por uma embalada em lata ou em frasco de vidro. E claro, rejeito sempre as palhinhas.”. “O mel que compro vem embalagem de vidro com tampa de metal. Aquele dos frascos de plástico não me atrai muito.”. “Gosto mais da manteiga que vem embalada em papel do que da que vem em embalagens de plástico.”
Estes são apenas alguns exemplos de medidas que permitem minimizar o uso do plástico. Esta atitude pode dar algum trabalho e provocar alterações nos nossos hábitos de consumo, mas o meio ambiente, assim como a flora e fauna marinhas, agradece!

3. TER EM CONTA AS ZONAS POR ONDE ESTÃO DISTRIBUÍDOS OS ALIMENTOS

Zona de produtos frescos, prateleiras e ilhas à temperatura ambiente, frigoríficos e congeladores são os pontos onde podemos encontrar os alimentos no supermercado. Esta distribuição dá-nos a percepção do grau de frescura, do grau de processamento, das necessidades de conservação e do tempo que os alimentos podem durar.
Por exemplo, a zona das frutas e hortaliças, a padaria, a peixaria, o talho e o frigorífico com os laticínios são pontos com produtos com curto ou médio prazos de validade. Estes podem ser minimamente processados ou conter poucos ou nenhuns aditivos. Por outro lado, alimentos à temperatura ambiente são, normalmente, muito processados e contêm muitos aditivos. São exemplos a maioria dos alimentos disponíveis nas prateleiras de um supermercado.
No entanto, o facto de se encontrarem na mesma zona, não significa que tenham o mesmo grau de processamento. Mas ter em conta este fator dá-nos a indicação de que o produto é mais ou menos processado e esta informação pode ser determinante para as nossas escolhas e tomadas de decisão.

4. PROCURAR A VERDADEIRA DENOMINAÇÃO DOS PRODUTOS

Muitas vezes o nome que temos no nosso cartão de identificação não corresponde àquele pelo qual nos chamam. O mesmo acontece com os alimentos. Mas, neste caso, devemos estar alerta. Por exemplo, uma «Tisana de camomila», daquelas engarrafadas, é na realidade uma «bebida refrigerante de extratos de chá preto descafeínado e de camomila com limão» e um dito «Queijo para saladas» pode ser simplesmente um «Queijo fresco pasteurizado».

Na maior parte das vezes, escolhemos os alimentos em função da marca ou do nome que está na parte mais visível do rótulo que, em muitos casos, corresponde a uma denominação de fantasia, como é o exemplo das famosas «Estrelitas» cuja denominação legal é «Cereais de trigo e milho torrados».

A verdadeira denominação dos alimentos aparece, normalmente, nas partes menos visíveis do rótulo antecedendo a lista de ingredientes. Há que procurar sempre por uma designação legal, por uma designação que permita reconhecer o produto sem necessidade de mais explicações ou por uma denominação que ofereça uma descrição do produto em que se consiga reconhecer a sua natureza real e o distinga de outros produtos com os quais poderia ser confundido.

Assim há uma maior certeza de que escolhemos o que realmente procuramos e de que optamos pelo que, para nós, é mais adequado.

5. LER SEMPRE A LISTA DE INGREDIENTES

Este é aquele tópico que acreditamos ser a menção mais importante num rótulo alimentar. Um ingrediente é qualquer substância ou produto, incluindo aromas, aditivos (os famosos “E”) e enzimas alimentares utilizados no fabrico ou na preparação de um produto alimentar.

A lista de ingredientes enumera todos (ou quase todos!) os ingredientes que fazem parte da composição de um alimento, por ordem decrescente de peso e destaca um conjunto de substâncias ou produtos, sinalizados pela União Europeia, que provocam alergias ou intolerâncias. Em alguns casos, é indicada a quantidade adicionada (em percentagem) de um determinado ingrediente.

Apesar de haver alimentos que podem não apresentar lista de ingredientes, como são os exemplos das frutas e hortaliças inteiras e dos produtos que sejam constituídos por um único ingrediente (p. ex. leite, café, água), quando presente, a sua consulta pode ser determinante para uma escolha mais adequada às nossas necessidades e preferências.

6. VERIFICAR SEMPRE O PRAZO DE VALIDADE DE CADA PRODUTO

“Consumir até…” (para alimentos perecíveis), “Consumir de preferência antes de…” ou “Consumir de preferência antes do fim de…” (para alimentos com maior durabilidade). Estas são as expressões que definem o prazo de validade de um produto alimentar. Devem constar obrigatoriamente no rótulo ou em qualquer outra zona da embalagem (há algumas exceções nesta obrigatoriedade).

O prazo de validade é o tempo médio que um alimento demora para perder as condições que garantem um consumo seguro (ausência de perigo imediato para a saúde humana) e as suas características de qualidade (p. ex.: aparência, sabor, aroma, consistência, textura). Varia em função das características biológicas, físicas ou químicas dos alimentos e é definido a partir da sua produção até a o momento de consumo. Depende de diversos fatores, tais como: processo de produção, do tipo de embalagem, condições de armazenamento e composição do alimento (ingredientes).

O prazo de validade deve ser considerado juntamente com as condições de conservação e armazenamento dos alimentos, após a abertura da embalagem. É esta conjugação que pode garantir um consumo seguro e as suas características de qualidade.

7. ESTAR ALERTA PARA AS TENTAÇÕES DO MARKETING

Vacas a pastar em prados verdejantes, cereais explosivos super coloridos, sem glúten, 0%, integral, produtos mais caros expostos ao nível dos olhos, baixo em calorias, 100%, L.Casei, fonte de fibra, sem gordura, biológico, zero, light, magro, bifidus ativo, enriquecido, abertura fácil, sem sal, mudanças frequentes de localização dos produtos, plantas à entrada, produtos de primeira necessidade (pão, leite, etc.) ao fundo da loja, produtos com pequenas embalagens à saída da loja, junto às caixas (pastilhas, chocolates, etc.), tamanhos familiares, sem adição de açúcares, sem lactose, ómega 3, natural. São estratégias de marketing.

No setor alimentar o marketing pode manifestar-se tanto na comunicação feita através da embalagem/rótulo dos produtos como na implementação de estratégias nos locais de compra/venda dos mesmos. As alegações nutricionais, não sendo obrigatórias, estão previstas nos termos da legislação comunitária ou nacional e podem surgir em texto, desenhos, gráficos ou símbolos e declaram que os alimentos possuem propriedades nutricionais benéficas particulares. Parte das estratégias usadas são baseadas em estudos de neuromarketing (análise da atividade cerebral dos consumidores) e outras são fruto da criatividade dos marketeers.

Devemos lembrar-nos sempre que um dos objetivos do Marketing (no setor alimentar ou noutro) é contribuir para que as empresas aumentem as suas vendas. Da nossa alimentação, cuidamos nós!

8. CUIDADO ACRESCIDO NA ESCOLHA DE ALIMENTOS PARA CRIANÇAS

Personagens inventadas, heróis e heroínas dos filmes de animação, brindes, cores e fantasia são alguns dos elementos que aguçam a vontade de uma criança querer provar ou repetir um alimento, normalmente, pouco saudável e com elevados teores de açúcar.

“(…) a influência da publicidade é particularmente determinante junto das crianças, que, pelas características próprias da idade, são mais receptivas em relação às mensagens veiculadas, sendo cada vez maior a pressão comercial exercida sobre este segmento de mercado” é que se pode ler junto aos resultados da investigação exploratória“A criança, a publicidade e as práticas alimentares” (2010).

E hoje, será que o panorama é muito diferente? Hoje em dia, o panorama mantém-se, seja nos supermercados, seja nos anúncios de TV. É importante que cada consumidor, saiba fazer as melhores escolhas para as suas crianças. Conversar e esclarecer sobre alguma da informação veiculada, minimizar o contacto com este tipo de produtos podem ser algumas das soluções. Não menos importante é a leitura de rótulos: já sabemos que quanto maior o número de ingredientes, mais processado será o alimento e sabemos também que há açúcar escondido nas mais variadas formas e que este pode criar adição.

E será que as estatísticas de obesidade infantil têm relação directa com as escolhas e preferências deste tipo de consumidores? Uma coisa sabemos: “de pequenino se torce o pepino”. Aquilo que é a nossa alimentação enquanto crianças/adolescentes reflete-se no futuro. Por isso, a missão de hoje é ter um cuidado acrescido na escolha de alimentos para esta população, para que amanhã as doenças de origem alimentar lhes passem ao lado.

9. ENCARAR DESCONTOS E PROMOÇÕES COM ESPÍRITO CRÍTICO

Quando ouvimos as palavras “poupança”, “promoção”, “descontos”, “grátis”, “saldos”, “mais barato”, “oferta”, entre outras, somos completamente abandonados pelo nosso pensamento racional. E os supermercados sabem isso! Sabem que os consumidores dificilmente resistem a um “pague 2 leve 3”, a um produto cujo preço termine em 9, a outro que veio em destaque no folheto ou a uma oferta exclusiva para quem tem o cartão poupança.

Quando confrontados com este tipo de “tentação” há que respirar, fazer uma pausa e refletir se, caso essas palavras não lá estivessem, avançaríamos para essa compra. Será que preciso de três unidades, mesmo ganhando um “desconto”? Que tipo de produtos é que estão em “promoção”? Serão os mais saudáveis? Qual é o prazo de validade dos produtos que me estão a vender “mais barato”?
Estas são algumas das questões que devemos colocar, antes de avançar para a compra dos nossos alimentos. Estar cientes de que a grande parte dos produtos incluídos nas listas de promoções e descontos não representam grandes poupanças, não só em termos de finanças, mas também (e principalmente) em termos de saúde.

10. CONFIAR OS SENTIDOS PARA TOMAR DECISÕES

Música demasiado alta, odores muito intensos no ambiente e quantidades de luz excessivas a incidirem sobre os alimentos (sobretudo no pescado e nas carnes). Estas são algumas das técnicas do Marketing Sensorial, que tem como missão estimular e enfatizar as sensações dos consumidores.

As cores, as texturas, os cheiros e sabores que percecionamos através dos sentidos (audição, olfacto, visão, tacto e paladar) têm um enorme impacto nas nossas tomadas de decisão. Por isso, vamos usá-los a nosso favor: evitar legumes descolorados, com manchas ou com aspeto murcho e frutas com estado de maturação e de frescura ultrapassados; observar se as quantidades de gelo à volta dos alimentos congelados são excessivas (indica que podem ter sido congelados mais de uma vez); desconfiar de produtos de origem vegetal com sabor a carne (batatas com sabor a bacon) e de alimentos processados com cores exuberantes (pipocas encarnadas e bolos com cobertura cor de rosa).

Usar os sentidos a nosso favor, sem que nos deixemos levar pelo marketing sensorial, permite que façamos melhores escolhas no momento da decisão.

Visite a galeria completa aqui!

Este tema é apresentado no Episódio #2 do Food Watchers Podcast, disponível no Spotify e SoundCloud 🎧

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